sábado, 29 de agosto de 2009

Entre Varanasi e Agra

Duas referencias em qualquer guia turístico sobre a índia.

Talvez caissem demasiado juntas neste planeamento de viagem, pois quaisquer das duas cidades merecessem mais disponibilidade não tanto física, mas mais a nível mental.

Não é fácil viajar pela índia. Cansa!

O calor, as pessoas, o caos na rua, as grandes distancias entre as cidades, as viagens nocturnas de comboio, o constante assedio dos taxistas, os olores, a desorganização visual que envolve caminhar pelas ruas. Tudo isto tem um preço.E é certamente um preço mais que justo a pagar pela visão de hoje.

O famosíssimo Taj Mahal!!!Vale a pena. Mais.... só por esta visão, já valeu a pena a viagem!!! :-)Enquadrado entre o rio e jardins, o monumento acaba por ser um oásis emocional a tudo aquilo que a Índia sugere. Paz, Tranquilidade e Sossego.Fiquei umas horas, principalmente para ver o cair da tarde, ao mesmo tempo que parecia que o Taj mudava de cor consoante a hora do dia.eE' impossivel ficar indiferente a estas coisas. Fechas os olhos, abres os olhos, ves o Taj Majal e ficas imediatamente impressionado. Fiz este exercicio vezes sem conta e em todas elas tive a mesma sensacao visual. Uauuuuuuu!!!Telmita, vale mesmo a pena!!!

Para trás, ficou Varanasi!!!! Buff, Varanasi....Nem sei ainda os adjectivos adequados para descrever este sítio. Espiritual, religioso, protocolar, certamente, mas e' bem mais que isso. Por outro lado, envolve um certo lado mais obscuro, mórbido ate.Certamente serão os meus padrões ocidentais a falar mais alto. E nem falo tanto das cremações em si, mas prefiro não entrar em detalhes que não seriam muito agradáveis de explicar.

Bom, por agora e tudo.Amanha Jaipur. Entramos já na província de Rajastan. Das mais pobres regiões na Índia e também terra de rajás e luxuosos palácios. O eterno contraste indiano!!!

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Delhi:Esquemas, Friends and Faiths

Por mais que leias guias avisando-te da cena, acho que é praticamente impossível não cair na trama. Contratas um taxista, pões-te de acordo com os preços e com os sítios a onde te levar, quando já depois de uma conversa interessante sobre a Índia e muitas outras coisas, o homem começa a fazer-se perdido. Não conhece a rua, começa a deambular com o carro, por ruas menos aconselháveis, vai perguntado as pessoas que encontra….e claro, tudo isto ás 2h00 da manha faz-se com que comeces a ficar um pouco nervoso.
O homem, lá numa rua estranha, sai do carro encontra um “governamental” tourist office e pede ajudar. De lá dentro sai o gajo que fazia de Mafioso no Slumdog Millionaire dando já toda a pinta que estamos metidos num esquema.
Dizes que não, que já combinaste com amigos, do outro lado há um telefonema para o hotel que tínhamos a reserva onde nos dizem num perfeito inglês que esta tudo cheio e entra-te então a tentação de aceitar a proposta dos máfias.“Não, diz o Jeffrey, bora lá mas é ao nosso hotel e cagar nestes gajos.”Dizes mil vezes não, eles dizem 999 que não podemos ir lá, e há milésima vez para ai, convences o taxista e em 5 minutos estas a porta do teu hotel
.A primeira experiencia Indiana!!!Acordas tarde, e vês a luz do dia o caos que é Delhi e principalmente o caos que é a nossa rua. Paharganj! Vacas, merda, lixo, merda, caes, merda e lama. Ainda assim, tem a sua graça….ou se calhar sou eu, que ate gosto de sítios pouco higiénicos.
Decides não ir em táxis, motas improvisadas, bicicletas improvisadas e não sei mais o que tenha rodas, esteja improvisado e te ofereçam como meio de locomoção para o monumento mais próximo.Isto sim, estou aqui há 24 horas e já tenho mais amigos que em 30, perdão, 31(aiiii!!) anos de vida pelas Europas.
O que mais oiço aqui é um “allo, my friend”, “all my friend”.Trabalham todos para o Governo, que sendo de esquerdas e ate já coligou com os comunistas, ate faz algum sentido. O problema é que esse governo é mais um meio privado de sacar dinheiro aos turistas.Não são agressivos, nem nada que se parece. Ate são bastante amigáveis, chatos, mas amigáveis.
De resto de Delhi, retiro a experiencia que foi entrar no maior sítio de peregrinagem Sikh. É impossível ficar indiferente a tamanha demonstração de fé e espiritualidade.O melhor de Delhi ate agora, sem duvida….
Tomorrow, segundo dia em Delhi e partida em comboio nocturno para Varanasi, a capital das cerimónias religiosas na Índia.
Promete….”

terça-feira, 4 de agosto de 2009

vou de férias


Budapeste Agosto de 2009! Esta é a ultima viagem de trabalho antes das férias. Estou, como em bom português se diz, toda rota! Acho que nunca cheguei ao final de um ano de trabalho no estado lastimoso em que me encontro agora! Tenho um mau feitio que nao se aguenta, o corpo já apanha todas as doenças possíveis e imaginárias e à falta de coisas normais como ter febre, encho-me de borbulhas e manchas esquisitas na pele que nao têm qualquer tipo de explicação. Foi um ano duro em que tentei manter as coisas mais ou menos encarriladas sem menosprezar nada em particular, porque no fim de contas, tudo é importante. Consegui fazer um bom trabalho, consegui fazer a PG onde aprendi como nunca tinha aprendido em curso nenhum que tenha feito até hoje e consegui acabar com uma nota boa (mesmo que nao tenha sido o que eu esperava a verdade é que tb nao houve nota maior), consegui estar perto da minha familia (os meus pais que me desculpem os ataques de falta de paciencia, mas compensamos com a falta de paciencia que tiveram comigo na adolescencia ok?), dos meus amigos estejam eles onde estiverem por esse mundo fora. Fiz novas amizades que espero sinceramente que perdurem, algumas delas em contexto académico que passou rapidamente para o contexto pessoal, outras em trabalho que passaram também a fazer parte do album da "familia escolhida". São muitos os nomes, foram muitas as formas como cada pessoa deixou a sua marca e nas quais eu espero ter deixado um pouco de mim também. Foi um bom ano!
Agora vou de férias, 1 mês, nunca fiz isto antes. Fazer a viagem que tanto desejo há tantos anos! A viagem que sempre fez parte do meu imaginário e que vai finalmente ser verdade! Estou ansiosa, mas acima de tudo estou feliz! Estou feliz por sentir que é um objectivo cumprido, algo merecido, algo que traduz muito daquilo que sou e que vai marcar um momento importante da vida. Tenho a certeza que este outono para além de quente, como diz a minha chefe, vai também ser muito bom! Como o D. diz, o melhor ainda está para vir! Eu tenho a certeza disso! A. os sininhos vão tocar em Setembro, até ao final do ano, tudo aquilo que nao queremos estará bem longe e teremos tudo o que desejamos...nao apenas porque sim, mas porque trabalhámos muito para isto! todos nós, eu, os meus amigos, a minha familia, todos os que lêem este blogue feito num diário de viagens! Todos merecemos que a vida nos presenteie com as coisas boas que já nem sequer nos lembramos de um dia ter desejado! É com esta convicçao que encerro este ano (sou como os profs e estudantes, rejo-me pelo ano lectivo e nao pelo ano civil como a restante humanidade).
Deixem-me voltar de férias e vão ver!

segunda-feira, 22 de junho de 2009

sabonetes e cheiros ou a felicidade de viver fora da UE



Este ano vim passar os primeiro dias oficiais de verão na Dinamarca. Está um sol que nunca mais acaba e habilito-me mesmo a chegar a Portugal com uma cor bem mais simpática do que aquela com que saí! É sempre um prazer vir ao norte da Europa ainda para mais com bom tempo.
A viagem começou em Copenhaga. É a segunda vez que estou na cidade mas agora tive uma enorme vantagem chamada carro. Não deixei de andar que nem uma doida, nos meus saltinhos altos o que dá sempre jeito, mas o boguinhas foi essencial (excepto aquela parte em que paguei 10 euros por 3 horas de parque de estacionamento) para conseguir ir até Cristiania.
Cristiania é uma "cidade" dentro de Copenhaga, com regras próprias e um ambiente muito...chamemos-lhe cool! O lema do sitio é: faz o que te apetece desde que aquilo que estás a fazer nao impeça o outro de fazer o que lhe apetece! Lá entrei eu nos meus saltinhos, num sitio com chão de terra batida e muitos buracos, povoado por pessoas que já nao tomam banho há uns tempos. Até aqui tudo bem, porque com o calor que está nem eu garanto que o meu cheiro seja sempre agradável. Lá fui eu mais para a frente e começaram a ver-se avisos de "no photo"...achei estranho, é um lugar público, mais ou menos turistico...e eis senão quando tudo começou a fazer sentido!
Logo ali estava uma banquinha a vender todos os acessórios fundamentais para quem quer passar um bocado bem passado à base de produtos naturais, quimicos ou assim assim! A seguir estava um senhor, já entradote que esta coisa da vida alternativa nao tem idades, com uma banquinha daquelas que costumamos ver nas feiras de gastronomia e artesanato, sendo que o conteudo da banquinha dele era...vá...sabonetes! de cor castanha e que emanavam um cheiro de atordoar qualquer um...claro que o cheiro vai aumentando consoante vamos avançando no caminho até chegarmos a um largo, que eu ingenuamente pensava que era o food court lá do sitio! De facto era um sitio para courtir...mas nao comida! aí sim, tive esperança que o D. Sebastião aparecesse! mas como eu própria estava limpinha que nem um anjo, nao vi nada, nada me apareceu à frente a não ser um sumo de laranja natural com o qual me passeei entre as ervas e que me soube pela vida...sim porque o sintoma da sede pelos vistos também chega apenas pelo aroma da coisa!
Depois de mais uma volta pelo bairro, e depois de ver a representação das alucinações que por ali se têm (primeira foto), lá decidi ir embora porque ainda me esperavam 200km de condução.
Mesmo a acabar, fui brindada com mais um detalhe simpático e que me fez rir: a julgar pela foto, eles sabem que lá fora (in)felizmente as regras são outras!

terça-feira, 9 de junho de 2009

Quem Me Ajuda?



Tenho um problema (entre muitos outros) que me preocupa! Várias dificuldades de relacionamento interpessoal já me foram apontadas nestes ultimos tempos...aceito-as e tento sempre perceber porque reajo de determinada forma. Compreendo que sou brusca e segundo as palavras de alguns, muito exigente. É verdade, sou exigente, é verdade, falta-me a paciência para a ignorância, incompetência e preguiça, é verdade, por vezes sou agressiva.
Se em relação a este terceiro ponto tenho feito muitos esforços (tenho inclusivamente um papel na parede do escritório em que trabalho com a frase: Tira as Pedras das Mãos, escrita com a minha letra depois da I. me apontar esse defeito) e tenho tido algum sucesso, já relativamente aos dois primeiros pontos, sinto-me muito perdida.
Como deixar de ser exigente (não estou a falar de exigir aos outros aquilo que eu dou/sei mas sim exigir-lhes aquilo que é seu dever dar/saber) e não passar a fazer parte do sistema e ser mais um promotor da mediocridade? Como deixar de ser exigente e compactuar com a promoçao da pequenez intelectual? Parece-me isto um pedido descabido, mas infelizmente recorrente!
O que sinto é que quem faz o que lhe compete entre dificuldades e tropeções é visto como esforçado, trabalhador, mesmo com limitações lá vai andando! É isto que se ouve, sempre reforços positivos. Quem tenta fazer as coisas sem erros, de forma ponderada, racional, exigente consigo e com os outros, é visto, não como esforçado, não como competente, não como profissional, mas como "demasiado exigente", "demasiado profissional", "demasiado rápido", demasiado, demasiado demasiado! É possível ser demasiado profissional? É possivel ser demasiado rápido? É possível ser demasiado perspicaz? Demasiado competente como já ouvi um dia? mas em que género de sociedade vivemos nós? Porque é que os outros levam reforços positivos e eu só levo paulada?
Compreendo que tenhamos que ajudar quem precisa, então mas e eu? Aparentemente também nao estou bem e ninguém me ajuda! Quem me ajuda a ter mais paciencia? Quem me ajuda a não esperar que os outros façam como eu e tentem fazer o melhor que conseguem? Quem me ajuda a compreender que ser exigente connosco próprios e com os outros é um defeito e não algo que me deva orgulhar? Quem me ajuda a mim? Quem me ajuda a esquecer que se deixar de agir assim vou passar a ser cúmplice deste portugal dos pequeninos, deste estado das coisas. Quem me ajuda a nao me sentir culpada por nao contribuir para evolução da sociedade?
Eu nao me estou a por num nível superior, eu sou apenas mediana. Não sou brilhante em nada do que faço, não sou especialmente inteligente e sou muito pouco esperta! Não é preciso sequer ser brilhante para ficar de lado, basta-nos ser exactamente aquilo que devemos ser e pronto...o caldo já está entornado!
Vou continuar a tentar ser mais calma, mais tolerante, menos agressiva, mais ponderada nas observações que faço e em todos os minutos em que seuqre pensar em abrir a boca. Mas não me peçam para desaprender tudo e me tornar em mais uma ovelha, no meio deste sistema que apenas priveligia os medíocres e põe de lado os apenas medianos! E depois ainda se admiram com a "fuga dos cérebros"...eu que sou uma parola já fico aterrada com isto, imagino se fosse de facto alguma coisa de jeito!

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Mudança da folha


Destino: Noruega! É talvez dos sitios onde gosto mais de ir, neste dia-a-dia de aeroportos, aviões que às vezes abanam, hoteis impessoais e lojas todas iguais, a Noruega é um país que continua a fascinar-me, pelas pessoas, pelos sitios mas acima de tudo pela energia de estar num sitio e querer de facto lá estar! nao querer estar noutro local qualquer! Às vezes acontece, quando se viaja tanto, se calhar demais, queremos estar em casa, queremos estar com os amigos, queremos estar com a familia, queremos nao estar....o que for...tudo menos estar onde estamos com quem estamos a fazer o que fazemos! Na Noruega é diferente! É mesmo bom estar ali, eu quero estar ali! Mais uma vez fiz uma volta pela costa oeste de Stavanger até Bergen! Linda costa oeste, maravilhosa Bergen! Apesar do cieiro que me foi destruindo nao só o sorriso como a vontade de comer gelados, estar em Bergen foi uma espécie de chuva de estrelas (nao no sentido televisivo do termo)...a sensação ao andar pelas ruas, ou conduzir entre montanhas e atravessar lagos, é a de que vai caindo em cima da minha cabeça uma chuva miuda de estrelas brilhantes como que a dizer: és sempre bem vinda! Existe essa harmonia, esse equilibrio quando estou lá...existe esse sentimento de pertença!
Desta vez senti uma urgência de aproveitar esse sentimento! Vivi a alegria de ter o enorme privilégio de conhecer um sitio assim...senti que talvez fosse a ultima vez que estaria ali, pelo menos nas mesmas condições, mas que isso nao era triste!
Os trilhos que vamos marcando nos sitios onde andamos, ficam por lá em parte, outra parte trazemos connosco! Esta viagem deixei muito mais do que trouxe (e olhem que trouxe mesmo muito). Deixei um percurso para voltar a fazer, deixei os meus olhos no mar, deixei a minha pele na floresta, tudo à espera de um regresso! vou voltar com outra bagagem, com outra companhia, com outro mapa, com outro guia...e é esse desconhecido, do que que trarei comigo nessa altura, do que serei nessa altura, que me dá este frio na barriga...estas borboletas que batem as asas sem cessar aqui na zona do estomago! saber que nao se sabe e, tal como diz o J., nao ter medo! Finalmente não ter medo de não saber. Nao sei o que vai ser o futuro, imagino que vai ser diferente mas tenho a certeza que vai ser bom! Nao vou dizer se espero que seja melhor ou pior. Não há melhor nem pior, nem perder nem ganhar, quando falamos da nossa vida, de nós. Tudo conta, todas as acções, todas as pessoas, todos os sitios e todas as situações entram nesta imensa conta de somar! No final de cada etapa temos o muito do que fomos somando e o resultado dessa aritmética só depende de nós próprios.
Por isso, este é o momento da urgência, da urgência das contas de somar, sim, porque se é para mudar de folha, entao que o balanço vá bem positivo! que se mude de folha porque se chegou ao fim das linhas da anterior e nao porque as contas estavam a dar mal! que se mude de folha para continuar a somar e para que no fim, lá bem longe, ao rever "a escrita" o saldo seja sempre positivo!
Foi neste espirito a que chamo "mudança da folha", que encontrei uma Noruega cheinha de novos rebentos, de folhas novas a nascer nas arvores, cheia de esperança, toda ela preparada para um novo ano....

terça-feira, 28 de abril de 2009

Milao e o Tiramisu


Acabei de chegar de Milao, essa bela localidade! A cidade da magnifica Duomo Milano, dos gelados, pasta, pizza, tiramisu e tb, a cidade dos automobilistas doidos! Nao param nos stops, nao param nos semáforos vermelhos, nao param para deixar passar um peão. Por outro lado cheguei à conclusão que tb os peões são doidos porque se mandam para a estrada, sabendo à partida os hábitos que têm quando estão atrás de um volante. No entanto nunca vi nenhum acidente e parece que todos se entendem perfeitamente sem regras. Os italianos têm esta coisa de saber viver na confusão! Esta semana é uma das duas semanas mais movimentadas do ano. As ruas estao cheias, os carros estacionados são decorados com garrafas de cerveja vazias. As pessoas dormem no chão ou pelo menos, estendem-se pelo chão. Falam alto e gesticulam, mais do que no resto do ano! a sensação de euforia é generalizada às pessoas de mais idade que das varandas das suas casas antigas da via Tortona, vêem toda aquela amálgama de culturas a passear na rua cá em baixo. Tiram fotografias e sorriem. Noutra qq época do ano, chamavam a polícia ou conotavam os mesmos foliões de delinquentes. Mas nesta semana tudo é perdoado, tudo é permitido! A cidade dá aos visitantes e habitantes o que estes dão à cidade.
Sabemos que só temos aquilo que damos, só recebemos de algo ou de alguém aquilo que estamos dispostos a dar. As cidades são assim, como as pessoas. Só nos dão algo na mesma proporção com que nos entregamos a elas. Desta vez entreguei-me a Milão!
Entreguei o meu desespero de nao conseguir encontrar um taxi para voltar ao hotel. Ao fim de uma hora e um quarto a esticar o dedo e a telefonar para todas as empresas de taxi da cidade, eu e a A. encontrámos um jovem, assim a atirar para o deus grego, que do próprio telefone ligou ao taxista particular que nos veio buscar à porta da sua casa apalaçada, sem perguntas, sem precalços! Simplesmente porque foi boa pessoa, chamava-se Filipe.
Entreguei-me a Milao quando, no fim de fazer alguns km a correr atrás de um panda japonês tentando nao perder de vista nem o panda nem os 3 porta chaves que vinham atrás de mim (I. D. e RM.), no fim de atropelar 3 pessoas com o troley do meu computador e de uma dessas pessoas ter estado a um micro segundo de me bater, e com toda a razão, lá arranjámos um restaurante onde numa mesa de 4 coubemos 5 apertadinhos. Veio a comida e todos nos entregámos à degustação. No final de uma refeição maravilhosa veio o impensável: O tiramisu! foi o melhor tiramisu de sempre, sem qualquer comparação nem sombra de dúvidas! Era tao bom que só me deu para dizer: é tao bom que até tenho vontade de chorar!
Entreguei-me ao convívio e durante os jantares ri-me tanto que quase fazia algo pelas pernas abaixo! As mesas ao lado apenas nos fitavam com um ar entre a curiosidade e a vontade de se juntar à boa disposição. Entreguei-me às relações entre as pessoas, mesmo aquelas cujo contacto é tao pouco frequente, e tive agradáveis conversas com quase desconhecidos.
Desta vez curti Milao, curti a cidade, curti as pessoas, gozei e diverti-me! Encarei a coisa nao como um frete mas como um tempo que tinha que aproveitar! Correu bem, a cidade respondeu com a mesma emoção que lhe entreguei!
E isto deixou-me a pensar agora que voltei! Se uma cidade cinzenta, poluída, antipática, pode tornar-se uma fonte de energia, de inspiração, apenas por olhar para ela e interagir com ela de forma diferente, porque não as pessoas? Aquelas pessoas com as quais nao consigo relacionar-me, com quem tenho anti corpos, que acho que me tratam mal, nao estarão apenas a dar aquilo que eu lhes dou? Não me estão a tratar de forma antipática, poluída e cinzenta, porque eu olho para elas como um frete? e se olhar para essas pessoas como alguém com quem tenho que estar e apenas aproveitar esses momentos? Tornar-se-ão essas pessoas, uma espécie de fonte de energia e inspiração, tal como Milão?
Se assim for, que venha o tiramisu pois eu volto a chorar outra vez quando o comer!

domingo, 19 de abril de 2009

Am I a Freak?


Na sexta feira tivemos uma aula engraçada. O desafio era identificar a curva da nossa vida relativa aos momentos de maior e menos criatividade. 1º conclusão, os picos (altos e baixo) de criatividade estao directamente relacionados com os momentos de maior e menor felicidade na vida! Até aqui, toda a gente na turma estava em sintonia! Depois passámos à análise dos momentos identificados. começou a C. a falar, e os momentos de criatividade dela estavam directamente e apenas relacionados com o trabalho/projecto que tinha num dado momento. Segui-se o Z.P. e a mesma coisa aconteceu....estranho, disse eu ao professor, os meus momentos de criatividade estão relacionados com factos da minha vida pessoal e nao profissional, sou eu que sou estranha? a resposta do professor nao foi muito clara mas a situação deixou-me apreensiva. a questão é: serei boa profissional? estarei a subvalorizar o lado profissional da minha vida? não é uma questao de juizo de valor, porque tanto acho brilhante uma pessoa bem sucedida a nivel profissional, como uma pessoa que opta pela vida pessoal e familiar. a questao aqui residia no facto de eu nunca ter pensado no assunto e me ter assumido deste sempre uma pessoa "career oriented"...ppenso que descobri naquele momento algo muito importante acerca de mim...
No intervalo fiquei a conversar com o Z.P. e fomos mais dentro no assunto. os momentos de criatividade e felicidade dele estavam sempre relacionados com o inicio de um novo projecto. em geral é isto que acontece com toda a gente, daí se falar em "entusiasmo inicial" e o tédio da rotina quando já se tem controlo sobre a situação. Ao analisar os meus momentos e o meu comportamento, cheguei à conclusão que os meus momentos de criatividade mais baixos são exactamente no inicio de um novo projecto. depois, ao conversarmos mais um pouco, percebi o porquê: falta de controlo. no meu caso, só consigo ser criativa, estar entusiasmada com algo, arriscar, fazer loucuras, quando controlo a situação, quando domino o contexto. esta necessidade de controlo, inerente a qualquer ser humano, é para mim um requisito para ser feliz e consequentemente, criativa! sou criativa no trabalho quando a minha vida pessoal corre sobre rodas! sou criativa na minha vida pessoal quando a minha vida profissional corre sobre rodas também. portanto em cada inicio de novo projecto/trabalho, fico basicamente e portuguesmente falando, atrapalhada, pouco criativa, nao arrisco e sou uma pessoa de missões: faço o que me mandam e faço-o bem!
a conclusão a que cheguei foi:
1º - serei boa profissional enquanto for boa T. e serei boa T. enquanto a minha vida profissional correr bem! é um equilibrio, nem muito para um lado nem muito para o outro! as minhas duas vidas equilibram-se e isso é bom!
2º - todos os patrões que me contratarem terão que esperar 1 ano (pelo menos) para verdadeiramente saberem como eu sou a trabalhar
3º - quando finalmente estou a ser criativa e altamente produtiva em alguma função, tenho tendência a pegar na trouxa e ir embora...esta é a minha nova admiração, nao sei o porque é que quando estou no meu melhor a coisa começa a deixar de ter graça...
se alguém me conseguir explicar o que se passa na minha cabeça nestes momentos, eu agradeço!
4º - e última conclusão, a rotina para mim nao é um inimigo porque aparentemente a rotina nao existe...quando ela se começa a instalar é quando as minhas fases criativas começam a emergir!
tendo consciência deste processo mental, acho que vou aproveitar muito melhor a vida a partir de agora!

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Nem aqui Nem ali, é o título de um livro de um dos meus escritores preferidos no momento: Bill Bryson. O livro, bem como o seu título, juntamente com o bichinho e o empurrão das minhas amigas A. e A. fizeram com que este diário acontecesse. Como nao me quis apropriar completamente desta fonte de inspiração decidi alterar um pouco o nome e espero conseguir manter este espaço, nao apenas com as histórias das viagens que vou fazendo, como também com algumas reflexões, admirações e indignações (e outras coisas mais acabadas em ões como bicicleta e alcatruz...). Mãos à obra!
T.